despeça-se.de.si.mesmo

maio 30, 2010

Hoje gostaria de me despedir. Não, não quero dizer que pararei de escrever aqui e também não quer dizer que irei para outro lugar. Não significa também, do mesmo modo, que você se mudará. Me despeço aqui de mim mesmo. Não se assuste, não farei algo contra mim. O que quero dizer é que decido hoje parar de servir à mim mesmo.

E não existe poesia no porque decido fazer isso nessa noite. A simples verdade é que não fui feito para isso e acredito, da mesma forma, que você também não foi. Você não ganhou braços para abraçar-se, não ganhou pernas para correr para si mesmo, não ganhou um coração para bater por si próprio, não ganhou uma mente para pensar em si.

A verdade é que eu fui feito especialmente para você e você foi feito especialmente para mim. Repare, eu não estou falando com Deus ou sobre Deus, eu estou falando com você, que lê hoje esse texto. E, pelo simples fato de você existir e ler esse texto, sei que tenho completa razão no que eu digo.

Gostaria de falar com você hoje sobre Ezequiel 34, especificamente sobre o segundo versículo:

Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e diz-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Ez 34.2

Lendo esse texto você poderia dizer: Mas não é lógico que esses pastores deveriam apascentar as ovelhas? Para que servem pastores senão para pastorearem ovelhas? E eu seria obrigado a lhe perguntar: Mas e você para que serve?

Para que servem pregadores? Para que servem ministros de louvor? Para que servem intercessores? Para que servem conselheiros? Para que servem mestres? Para que servem os líderes? Para que servem cristãos?

E se você sabe para que servem, porque você prega para si mesmo? Porque você ora por si mesmo? Porque você louva ao invés de ministrar o louvor? Porque você usa o aconselhamento para entender seus próprios problemas? Porque você busca o conhecimento para si próprio e não o compartilha? Porque você não orienta seus liderados? Porque você não ama o próximo, mas só a si mesmo?

Muitas vezes ouvi em igrejas que quando pregasse, deveria fazê-lo primeiro à mim mesmo. Mas a verdade é que Deus não me permitiu pregar para que o fizesse à mim mesmo, senão todos os profetas teriam de ser mudos. Ele me fez pregar para que pregasse aos outros, por isso me deu uma boca e um teclado. Ele lhe deu o dom de cura para curar ao próximo, Ele lhe deu o amor para amar ao próximo.

Negligenciamos muitas vezes o nosso próximo por causa de nosso “eu” e usamos erroneamente os nossos dons quando deles nos servimos. Mas a verdade é que enquanto não nos desligarmos de nós mesmos e pararmos de servir a nós mesmos o nosso próximo não terá espaço para nos servir e nós, ao mesmo tempo – e o que é muito constrangedor, não teremos espaço para servimos ao próximo, porque ocuparemos toda a agenda conosco.

Por isso hoje tomo a decisão de despedir-me de mim mesmo, de parar de pregar e apascentar-me a mim mesmo e decido fazê-lo por você meu irmão, pois sei que isso é o que Deus preparou para mim. E sei que enquanto eu o estiver servindo, você me servirá em amor e seremos corpo. E saberei que serei melhor cuidado pelos meus irmãos do que por mim mesmo.

Despeça-se de si mesmo e sirva ao seu irmão e assim seremos verdadeiramente um corpo em Cristo.

Que Deus o abençoe!

fantasias.de.amor

maio 12, 2010

Gostamos de nos fantasiar. E gostamos pelo simples fato de que apatrechos que distorcem a nossa aparência são suficientes para esconder todos aqueles erros que compõe o que temos coragem de chamar “caráter”. Podemos fazer o que quisermos se estivermos fantasiados.

Fantasias podem ser das mais variadas formas e gêneros. Fantasias de festa são aquelas que usamos para nos divertir, fazer concursos e dançar um pouco. Essas escondem nossos rostos corados de vergonha. Mas o problema das fantasias é que na maioria das vezes não é pelo corar do rosto que as usamos.

Usamos fantasias em nossas expressões, quando dizemos “tudo bem”, usamos fantasias em nossos gestos em nossos abraços “fraternos”, usamos fantasias em nossa índole quando executamos um papel em tal parte da sociedade, que achamos que não nos receberia bem se vissem quem somos.

Mas fantasias caem, se destroem ou precisam ser removidas hora ou outra e é quando uma dessas coisas acontece que vemos como as pessoas são. E na Bíblia podemos ver algumas fantasias caindo. Um desses relatos é contado pelo profeta Ezequiel:

Eles vêm a ti, com o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Ez 33.31

Talvez você já tenha visto essa cena em uma sala de aula. Os alunos chegam na sala de aula e ficam em silêncio somente pelo balbuciar do professor. Eles olham e até meneam a cabeça afirmativamente, como se concordassem com tudo o que o professor diz. Mas o que não vemos são as mensagens sobre outros assuntos sendo repassadas por debaixo da carteira ou a cola no momento da prova.

A questão é que aqueles alunos estão ali somente pela nota. Eles não se importam se aprenderão ou não algo, somente querem ser aprovados, porque isso implicitamente lhes aponta que terão um emprego, que pagará seus luxos e abusos no futuro. A mesma história se repete no emprego, quando ouvimos nossos chefes e adulteramos ou fazemos de mal-grado os projetos.

Somos assim com Deus.

Vamos na igreja e nos disfarçamos de bons homens ou mulheres. Aprovamos aquilo que o pregador diz e até incentivamos sua prática, isso quando não chegamos ao ponto máximo do hipócrita: apontamos o erro de outros que não procedem daquela forma. Mas chegamos na rua e negamos alimento aos necessitados, em casa negamos o amor aos filhos, esposa ou aos irmãos e no trabalho negamos a honestidade.

A verdade é que temos somente aparência de amor, aparência de caridade, aparência de verdade. Usamos fantasias de amor, mas não “ousamos” praticá-lo, porque ele não cairá bem aos nossos propósitos. Queremos o dinheiro, não o trabalho, queremos a autoridade, não o relacionamento, queremos o prazer, não o carinho.

Queremos e gostamos de uma mentira, vivemos e aprovamos a hipocrisia, porque amamos nossas fantasias. E, assim como o povo de Israel, nos tempos de Ezequiel, queriam e esperavam somente os lucros das profecias, nós também só queremos usar o amor para alcançar aquilo que mais desejamos: poder, autoridade, dinheiro e prazeres.

E Deus ano após ano quer nos dizer que paremos de nos fantasiar. Que paremos de usar nossos reflexos como espelhos para nós mesmos, como se fôssemos bons. Ele deseja te perdoar e me perdoar não pelo que fingimos ser, mas deseja perdoar-nos pelos nossos erros verdadeiros.

Não use fantasias de amor ou piedade, mas se confesse sem fantasias ou mentiras à Cristo e Ele não lhe dará uma fantasia de Salvação, mas sim uma Salvação e Vida Eterna reais.

Que Deus o abençoe!

saiba.ganhar.presentes

maio 4, 2010

A cara azeda com mal jeito, o sorriso amarelado pela frustração, os saltos indevidos, a risada indiscreta. Sejam porque são bons demais, porque são menos do que esperamos ou porque são exatamente o que precisamos, a verdade é que não sabemos ganhar presentes.

Quem jamais teve uma reação inesperada ao receber algo em uma data especial? Quem já não magoou o presenteador por uma cara de desgosto e quantos de nós já não nos magoamos sendo presenteadores? Quantos de nós não vimos ou sentimos na pele o embaraçoso momento do presentear, onde nunca o dar se aproximasse do receber em valor?

E hoje, meditando sobre alguns textos da palavra, pude perceber que não estamos sozinhos na triste função do presentear.  Na metáfora, usada pelo profeta Ezequiel, o Senhor passa por uma criança rejeitada, uma criança que não merece carinhos ou apreço e que é largada à beira da estrada e a acolhe, como que sendo sua, lhe dando tudo o que precisa para crescer saudável e próspera.

Num momento seguinte o Senhor encontra-se novamente com essa criança, que aqui representa o povo de Israel, ela já está adulta e o Senhor então lhe toma por esposa, lhe dando todo o amor e fazendo com ela uma aliança, dando-lhe roupas, jóias e tudo o que uma mulher precisa e deseja.

Mas a noiva não sabe lidar com os presentes que recebe:

Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor Deus. Mas confiaste na tua formosura e te entregaste à lascívia, graças à tua fama; e te ofereceste a todo o que passava, para serdes dele. Ez 16.14-15

A noiva, ao invés de ser agradecida por aquilo que havia recebido do Senhor, ao invés de honrá-lo com amor, dignificá-lo com sua companhia, usa todos os presentes para conseguir se aproximar de outros homens. É uma mulher que ao receber presentes do marido os usa para adulterar com outros homens.

E o mais triste dessa história é saber o quanto parece com nossas vidas.

Renegados, massacrados pela vida, expulsos do colo de quem amamos, nós chegamos ao mundo sofrendo. E o Senhor nos abraça. Ele nos dá todo o conforto e comodidade que precisamos para crescer. Nos capacita com dons e talentos para que saibamos sobreviver em dignidade e honra entre os homens, ajudando-os e lhes dando nosso braço de companhia, mas nós ferimos ao Senhor.

Ferimos quando não aceitamos quem somos e usamos aquilo que Ele nos deu para ferir nosso irmão, para gerar competições infundadas e crimes contra nossos iguais. Usamos dons musicais para shows de talento, utilizamos a profecia para gabar-nos de nós mesmos, usamos a liderança para ludibriar e roubar os que nos seguem.

Somos adúlteros.

Adúlteros porque entregamos o dom que o Senhor nos concedeu para ferir nosso irmão e assim, enquanto fingimos estar satisfeitos com o nosso Senhor, servimos a outro deus: nós mesmos. Adúlteros porque entregamos o melhor não a quem merece, mas o guardamos debaixo de nosso ego para satisfazer prazeres carnais como egocentrismo, luxúria, ganância e glutonaria.

E, ao sermos adúlteros, nos tornamos como aqueles que não sabem receber presentes. Talvez porque o queiramos por méritos e a Graça não nos seja compreensível. Talvez porque simplesmente somos maus e indignos.

Mas a verdade, apesar de tudo isso, é que o Senhor nos presenteou. Ele te deu a vida, a alegria do respirar e a esperança do amar e, mesmo que você não esteja sabendo lidar com esses presentes que Ele lhe deu, Ele deseja firmar com você uma nova aliança, agora que você já sabe dos seus erros, uma aliança eterna (Ez 16.60).

Saiba ganhar presentes, aceite as bençãos de Deus em sua vida sem usá-las para ferir o próximo e assim, agrade aquele quem lhe proporcionou todas as coisas.

Que Deus o abençoe!

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